Religião ou Superstição?

Não sei se o prezado amigo viu, há tempos, na televisão, os resultados de uma sondagem que a RTP encomendou, onde se perguntava às pessoas se eram supersticiosos ou não.

O que achamos interessante foi que, numa certa região do país onde as pessoas têm a fama de serem supersticiosas, quase todos os entrevistados afirmaram que não eram supersticiosas. E, se não estou em erro, um comentador no programa fez referência ao facto dessa região ser, também, a parte mais religiosa do país.

E, assim, mais uma vez alguém ligou estes dois assuntos - a religião e a superstição, dando expressão, talvez, à ideia que prevalece na mente de muita gente, de que a religião e a superstição são a mesma coisa. Será isto verdade, caro amigo?


Ora, não há dúvida de que a religião é um assunto bastante polémico e capaz de despertar toda uma gama de reacções numa grande variedade de pessoas.

Por exemplo, um jornal bem conhecido, uma vez, encomendou uma sondagem sobre a religião e obteve resultados interessantes. Descobriu-se que quase 30% das pessoas entrevistadas disseram que nunca, ou quase nunca, iam à missa. Chegou-se à conclusão de que, na maioria dos casos, as práticas religiosas da confissão e da comunhão são pouco seguidas por esta classe de pessoas. Quer dizer, consideravam-se membros de uma religião, mas não praticantes .......

O mesmo jornal, passado algum tempo, abriu as suas páginas aos jovens, pedindo-lhes as suas opiniões sobre a religião. As muitas cartas recebidas eram de uma franquesa espantosa.

Eis, por exemplo, o que disse um rapaz de 17 anos:

" ..... para mim, Deus foi desde um juiz pronto a castigar a mais ínfima falta para com Ele, a uma espécie de tábua de salvação, onde eu me refugiava dos meus temores quase infantis.

"Tudo isto, porém, não resistiu ao tempo e agora sou um tipo que muito pouco se importa com a religião. Para mim, a crença em Deus apenas se traduz numa vaga fé num Ser superior, mas frio e impessoal ......."

Ora, caro amigo, para muitas pessoas a religião é um enigma, e se vão à igreja é só para assistir a cerimónias que, para elas, são formalidades ocas e sem significado.

Como o caso de uma jovem de 20 anos que ficou muito impressionada com a sua primeira comunhão: Eis o que ela disse:

"Três meses após o meu nascimento baptizaram-me. Nove anos depois mandaram-me fazer a primeira comunhão. Eu cá fui, aquilo era até divertido!

Bem, do baptizado não tenho a mais leve ideia. Mas da primeira comunhão? Não me lembro eu de outra coisa.

Uma cerimónia lindíssima. Tiraram-me muitas fotografias e os meus pais estavam muito emproados de orgulho. Havia também muitas flores, umas a sério, outras não, como tudo na vida.

E foi assim. Foi tudo muito cerimonioso, muito burguesmente religioso ..... e eu só não sei ainda hoje é o que fui lá fazer ......."

Parece que são dois os problemas que a juventude tem com a religião: pouca actualidade e um deus frio, impessoal e distante. Até alguns jovens, reagindo contra esta ideia de Deus, inventaram outros deuses, mais à sua maneira. Como, por exemplo, um rapaz, de nome Paulo, que escreveu:

" ....... a via religiosa é estanque, desprezando - e portanto, desrespeitando - qualquer outra conduta possível. E, por isso uma afronta ao homem, enquanto ser livre no pensamento. Deus não é uno (continua este jovem), Deus não é uno nem omnipotente. É plural e fraco .......

Afinal, religoso, eu? Sim, à minha maneira. Acredito em Deus, no meu deus, naquele em que assente toda a minha teorização de vida ......."

Prezado amigo, quanto a nós achamos muito natural uma atitude destas da parte de um jovem ao encarar as religiões deste mundo, e vamos explicar porquê.


Muita gente confunde a religião com Deus, e com o cristianismo, ignorando que não são, necessariamente, a mesma coisa. Por exemplo, como disse Dietrich Bonhoeffer, um martir cristão que morreu pela sua fé na Alemanha de Hitler, "o cristianismo não é uma religião."

A religião parte do princípio de que o homem, fazendo boas obras, e oferecendo sacrifícios a um deus, talvez frio e impessoal, (para utilizar a linguagem daquele jovem) pode agradar a este deus e assim ganhar um lugar no Céu.

Mas a mensagem que Deus, o verdadeiro Deus, nos dá na Sua Palavra, a Bíblia, é que Ele veio ao mundo, na pessoa do Seu Filho, Jesus Cristo que, morrendo na Cruz, estendeu as Suas mãos a um mundo rebelde, oferecendo aos homens o dom gratuito da salvação .......

Ora, caro amigo, isto não é religião, é simplesmente o amor de Deus em Jesus Cristo. Foi por isso que os primitivos cristãos procuravam mostrar ao mundo que não tinham templos, nem altares, nem sacerdotes semelhantes às outras religiões, incluindo a religião judáica. Na ideia do povo daqueles tempos os cristãos não eram religiosos, e até os Romanos chegaram a chamar-lhes de "atéus".

Em lugar de religião tinham uma Pessoa, Jesus Cristo, que os conhecia, amava e nunca os deixava. Para eles orar não era rezar, era conversar com o seu Amigo e Deus.

O seu culto não consistia de cerimónias em grandes templos e catedrais, porque sabiam que, conforme a promessa de Cristo, onde dois ou três se reuniam em Seu Nome, ali estava Ele no meio deles. Sabiam também, como disse o apóstolo Paulo, que "Deus não vive em templos feitos pelos homens". Não precisavam de sacerdotes porque Jesus lhes tinha aberto um caminho directo para a Presença de Deus .......

Prezado jovem amigo, esqueça a religião e deixe de pensar em Deus como um ser frio, impessoal e longe de si. Eis a verdade sobre o assunto. Escute o que diz a Bíblia: "Deus amou ao mundo de tal modo que lhe entregou o Seu Filho único, para que todo aquele que confia no Filho de Deus não se perca, mas tenha a vida eterna".

Deus é amor, e mostrou o Seu amor em Jesus, o Seu Filho. Você, caro jovem, sabia que Ele quer entrar em toda a sua vida, na escola, no trabalho, em casa, dando-lhe um significado que até agora nunca teve?

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1. Ilusões.
2. Enfrentando as realidades.

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